Relatos
Rastejando na Serra do Rio do Rastro
Quem: Nakamoto e Nakaoka
O que: Escalar a Serra do Rio do Rastro
Quando: 11/11/11 a 15/11/11
Onde: Criciúma SC
Como: De bicicleta MTB
Somos praticantes do ciclismo a alguns anos. Já participamos de provas de longa distância, conhecida como Audax 200 km, pedalamos regularmente cerca de 90 quilômetros semanais, a maior distância que já percorremos de bicicleta (speed) foi de 290 quilômetros entre São Roque e Santa Cruz do Rio Pardo pela Rodovia Castello Branco, já subimos a Serra de Campos, Desafio VO2, ou seja, não somos viajantes de primeira pedalada. Acho importante relatar nosso currículo para que aspirantes a ciclistas não resolvam imprimir este depoimento e sair pedalando.
No começo de novembro, escolhemos nosso destino, Serra do Rio do Rastro em Sta. Catarina. Faríamos um pedal exploratório para no futuro, levarmos uma turma maior.
Assistimos a muitos vídeos, lemos muitos depoimentos na internet sobre a subida e a descida da tal serra. As fotos nos fascinavam. Estudamos a previsão do tempo no local e algumas pousadas nos falavam das condições climáticas. Como iríamos de MTB (Mountain Bike) o tempo não me preocupava muito, subiríamos com chuva ou com sol.
O lugar escolhido estava certo, só a estratégia estava errada.
Pensamos em ir ate Lages de ônibus e descer a serra, pensamos em subir e dormir numa pousada e depois retornar de ônibus até São Paulo, pensamos em subir e descer e voltar para São Paulo no mesmo dia, pensamos, pensamos, analisamos a altimetria, e um dos vídeos o ciclista falava que um grupo grande subiu a serra de aproximadamente 12 quilômetros em 4 horas, quanto maior o grupo, mais demorado se torna a subida, portanto em somente dois ciclistas não faríamos um tempo maior que isso, logo, escolhemos o seguinte roteiro:
Partida: 11/11/11 às 16horas
São Caetano ao Metro Tamanduateí – De bike.
Metro Tamanduateí à Rodoviária do Tietê – De metro
São Paulo à Criciúma (Previsão de chegada 12/11/11 às 10:30h)– De ônibus
Hotel Ibis Criciúma – Descansar e conhecer a cidade
Criciúma à Novo Horizonte – De bike (subida 13/11/11 às 06h30min)
Almoçar (Restaurante Bugio no alto da Serra)
Novo Horizonte à Criciúma – De bike (descida 13/11/11 às 19h30min)
Hotel Íbis Criciúma – Descansar e beber cerveja
Dia 14/11/11 às 16 horas retorno à SP viação Pluma
Rodoviária do Tietê
Metro Tamanduateí
Trem até Utinga
Pedalar até São Caetano do Sul
Este foi o planejado. O que de fato aconteceu… será relatado a seguir.
Compramos passagens, reservamos hotel e no dia 11/11/11 partimos de São Caetano do Sul-SP.
NAKAOKA
5 gels GU (repositor energético) 01 Squeeze de 700 ml Bolsa de hidratação de 2L 1 porção de proteína em pó 1 porção de maltodextrina Spray para dores musculares (tenho muitos músculos) Faixa/Merthiolate Remendo / Cola / Espátulas Câmera reserva Jogo de Chaves allen Canivete suíço Mini Alicate Maquina fotográfica Bateria Reserva Celular / carregador / Fone de ouvido PESSOAIS Protetor solar Óculos escuros Porta óculos Roupas 01 shorts 01 camiseta 2 cuecas/1 meia Toalha de rosto Luva Uniforme Evolution Verde Capacete Iluminação dianteira e traseira Odometro Carteira de motorista Cartão do banco Cartão do plano de saúde Passagens Irei com uma bermuda e uma camiseta que utilizarei na volta. Um tênis / meia / cueca
Bike MTB
NAKAMOTO
Espátulas alicate(chinês) jogo de chaves para bike tipo canivete Bomba Capacete Óculos 2 lentes (amarela/preta) 2camaras Iluminação traseira Máquina fotográfica Celular Uniforme Evolution verde Luva 3 cuecas 3 meias 2camisetas 2bermudas Uma jaqueta de ciclismo Calça de ciclismo Capa de chuva 1sandália Creme dental Sabonete Protetor solar Escova dental Porta óculos Carteira de habilitação Cartão do banco Bike MTB (tipo 29)
Sai de casa no dia 11/11/11 às 15h30min rumo ao local de encontro com o Nakamoto. Cheguei por volta das 16 horas e às 16h10min iniciamos nossa pedalada rumo à estação de Metro do Tamanduateí. Chegamos à estação pontualmente às 16h30min, o transito já estava pesado devido ao feriado prolongado do dia 15 de novembro.
Ao tentarmos passar pela catraca, um funcionário nos informou que de bicicleta somente após as 20h30min, domingos e feriados o dia inteiro. Tentei argumentar com o segurança, mas não houve acordo.
Nosso ônibus sairia às 21h00min, portanto tínhamos tempo suficiente para pedalarmos até a rodoviária do Tietê. Foi o que decidimos. Fomos pela Avenida Presidente Wilson, o transito estava tranqüilo para o dia e horário, mas quando acessamos a Avenida dos Estados na altura no Mercadão Municipal, tudo parado, o que também não é ruins para nós ciclistas, mas não podíamos errar, pois nossa aventura estava só começando.
Chegamos à Rodoviária do Tietê às 17h30min. Uma etapa estava concluída com sucesso.
Primeira coisa a fazer era nos preparar para a longa viagem. Fomos ao banheiro trocar de camiseta, lavar o rosto e tudo mais.
Comemos um Double Grill Bacon e um Shake de Ovomaltine. 7584 calorias, risos
Andamos, sentamos,andamos, sentamos, tricotamos, avistamos outra turma de ciclistas, aproximadamente oito, puxei conversa e iriam ate Descalvado em MG, Caminho da Fé. Desejamos boa sorte à todos.
Por volta das 20h30min resolvemos ir ate o portão de embarque… tudo entupido de gente, chovia em São Paulo e muitos ônibus não conseguiam entrar na rodoviária, muito menos sair….São Paulo é assim….qualquer feriado, todo mundo quer sair daqui e com chuva…tudo fica mais demorado.
Com muito cuidado, chegamos ao portão 36, nossa preocupação era com nossa bagagem de duas rodas. Já havia conversado com o Marilson, gerente da Pluma, ele não garantiu o embarque, mas nos aconselhou a trocar de horário, pois o bagageiro seria maior. Com muita violência e mau humor, o ajudante “a serviço” da Pluma conseguiu enfiar nossas bikes no bagageiro do ônibus. Não foi preciso retirar as rodas e nem desmontar a bike. Mas após alguns riscos, nossas bagagens estavam a bordo.
O Nakamoto olhou para mim e disse:
“É como viajar para o Japão, ficaremos quase um dia inteiro neste ônibus…”
Palavras proféticas, a viagem que seria de 15 horas, demorou 23 horas.
Motivos do atraso: Saída de São Paulo congestionada, congestionamento na BR 116 altura da Serra do Cafezal e a BR 101 na altura da cidade de Laguna, nos brindou com um congestionamento monstruoso de quase 3 horas. Fiquei com vontade de denunciar ao CQC, uma rodovia federal em reforma, mas pelo visual parecia estar em reforma a muito tempo. Fiquei com vontade de sacar a bike do bagageiro e sair pedalando… sorte que o Nakamoto, tratou de me acalmar dizendo que eu estava ficando louco. Ainda faltavam 150 quilômetros ate Criciúma.
Chegamos em Criciúma por volta das 20:30 debaixo de uma garoa fina.
O motorista gentilmente nos deixou na Avenida Centenário bem em frente ao Hotel.
Pedalamos cerca de 5 minutos para o tão esperado check in com 8 horas de atraso. Durante o congestionamento, ligamos duas vezes para o hotel para avisarmos que estávamos a caminho, tivemos que assegurar nossa reserva fornecendo o numero do cartão de credito. Ao chegarmos no hotel, queríamos banho e comida.
Nada como um chuveiro quiieeeente.
Chamamos um táxi, pois garoa se transformara em chuva fina…. O taxista nos sugeriu vários restaurantes, pedimos por massa, pois precisaríamos de muito carboidrato para o dia seguinte. Descemos no Cantinho da massa, um rodízio maravilhoso. A lasanha estava deliciosa. Macarrão, pizza, lasanha, nhoque, lasanha, pizza e mais lasanha. Vamos tomar uma cerveja? Desidrata, mas vamos lá, afinal mais uma etapa comprida estava cumprida. Foram umas 3 garrafas.
Retornamos caminhando até o hotel, planejando os últimos detalhes da subida. Quando chegamos ao hotel, lembramos que não havíamos comprado água para nossas bolsas de 2 litros que usaríamos no passeio e nem os 5 gels que havia planejado. Deixamos para o dia seguinte.
Resolvemos acordar um pouco mais tarde, por volta das 7 horas para que pudéssemos descansar mais.
Domingo, dia 13 de novembro às 07h20min iniciamos nossa pedalada em busca de um bom café da manhã e água para completarmos nossos reservatórios. Para nossa surpresa, não encontramos uma padaria aberta e acabamos comendo um pastel de carne com ovo, molho de Farrapo, algo parecido com molho inglês e um café com leite na própria rodoviária da cidade. Pedalamos mais um pouco em busca de água e achamos um supermercado que acabara de abrir, compramos um galão de 5 litros, abastecemos e às 08h10min saímos rumo à Lauro Muller.
Comentei com o Nakamoto: “Você é o único cara que eu conheço que passa protetor solar, usa óculos escuros num dia nublado e ainda leva capa de chuva”.
Já sabíamos a direção, mas íamos confirmando com quem encontrávamos na rua: Lauro Muller é pra cá? Serra do Rio do Rastro é nesta direção?
Passamos por:
- Cocal do Sul às 08h30min
- Urussanga às 09h30minOrleans às 11h30min
- Lauro Muller às 12h20min
Começou a garoar, nada forte. No centro de Lauro Muller percebi que meu pneu traseiro estava murcho. Fizemos uma parada para remendar o pneu. Uma turma de três ciclistas com alforjes passaram pela gente, trocamos breves palavras e falaram que também subiriam a Serra.
A garoa aumentou e começou a esfriar, Nakamoto trocou as lentes dos óculos para lentes amarelas. Eu continuava com bermuda e a camiseta de manga curta. Aquecido, não sentia os efeitos do frio, mas não podia ficar parado por muito tempo.
Durante o trajeto, recordo-me do pastel de carne com ovo que havia comido de manhã…. Como me fez mal. A 9 quilômetros do topo, portanto no começo da serra, fizemos uma parada num bar local, pedi para utilizar o banheiro…. Pelo amor do meu filhinho…. Deixei o pastel lá.
O dono do local, perguntou de onde nós estávamos vindo e para onde iríamos. Quando falamos que iríamos para o topo e ele nos viu de bermuda e camiseta, recomendou muito amigavelmente que voltássemos à Criciúma, pois lá em cima, a temperatura seria de até 10 graus menor de onde estávamos.
Perguntei sobre os três ciclistas e eles haviam passado por lá há poucos minutos. Tomamos um refrigerante e seguimos viagem. Mais alguns metros, começamos a pensar na descida, descer sem pedalar, só aumentaria o frio que já começávamos a sentir, então precisávamos de um plano B.
Quando perguntei ao Nakamoto, sobre uma eventual mudança nos planos, como dormir numa pousada no topo da Serra, avistamos uma pousada, Hotel Verde Serra (48) 3464-7055. Paramos para perguntar o preço da diária.
Fomos atendidos pelo senhor Jose que gentilmente nos serviu um café quente. Sim, tinham vaga e a pernoite sairia por R$ 35,00 por cabeça, confesso que pagaria até uns duzentos reais.
Os três ciclistas que haviam passado pela gente, iriam se hospedar lá e seguir viagem no dia seguinte, tinham saído de Tubarão e iriam rumo à Porto Alegre, numa ciclo viagem de 10 dias. Trocamos emails e decidimos que continuaríamos a subir a Serra e retornaríamos até aqui para pernoitar.
Continuamos a nossa escalada, com frio porém aquecidos. As subidas são fortes, nunca imaginei que usaria as marchas mais leves da mountain bike, esta foi uma escolha certa, estava em duvida se iria de Speed. Todo o trajeto percorrido é asfaltado e com cerca de 90 por cento com acostamento, uma Speed iria bem, mas com minha relação 12 x 25 x 105 talvez não conseguiria pedalar tanto. Isso mesmo, minha relação é essa mesmo. Cassete é 12 x 25 e 105 quilos, risos….
Subimos mais alguns metros e fui abatido por uma fisgada na panturrilha direita, um spray de Biofenac resolveu o problema, aliás recomendo.
O Nakamoto colocou sua capa de chuva, aquela que eu havia tirado um sarro, no começo do passeio… ”de óculos escuros, protetor solar e capa de chuva…”
Comecei a empurrar, primeiro grande erro estratégico, pois, deixei de me manter aquecido. Empurrando, o odômetro acusava 4 a 5 km/h. Nakamoto não empurrou em nenhum momento, mas me acompanhava na subida.
Ele pedalando e eu empurrando. Continuamos a subir ate uma lojinha, segundo um nativo, estávamos a sete quilômetros do topo.
Até o momento não havíamos almoçado, já eram quase 17 horas e só comemos coxinhas, café com leite quiente, junk food. Compramos uma camiseta, pensando em vesti-la na pousada, um DVD do local, pois, tudo estava nublado e a chuva impossibilitava-nos de retirar muitas fotos.
Ficamos poucos minutos para não esfriarmos.
Saindo da lojinha me queixei do frio, e ele me emprestou a capa de chuva. Tremia tanto que não conseguia vestir direito, talvez um sintoma da hipotermia. Continuamos nossa subida, que apesar do clima frio, havia muitos caminhões, carros e motos transitando no local, sempre que ouvíamos barulho de motor, encostávamos mais no meio fio da estreita estrada.
Durante uma subida, o Nakamoto me avisa da paisagem, quando olho para a minha esquerda, me deparo com uma enorme parede de rochas encobertas pela forte neblina, um paredão indescritível, imponente.
Notamos que os postes de iluminação eram numerados de forma regressiva. Isso passou a ser nosso referencial, Será que já estamos na foto? Uma foto tradicional com o zigue zague que termina no topo da serra.
Era o poste 110 e diminuindo à medida que avançávamos.
Cada poste ficava cerca de 100 metros um do outro.
O frio aumentava. Na altura do poste 100, resolvi tomar o meu primeiro e único gel. Continuamos a subir. Nakamoto sempre pedalando e eu, empurrando, empurrando, pedalando, empurrando, empurrando, rastejando os últimos quilômetros da serra.
No poste 80, fui derrotado pelo frio. Já não conseguia mais suportar a temperatura. Desgastados, esgotados e com frio, não havia mais o que fazer, o Nakamoto até pedalou mais alguns metros para ver o que havia depois da próxima curva. Ele ainda tinha pique para continuar, mas eu não conseguiria prosseguir. Talvez , se prosseguisse não conseguiria retornar, descendo até a pousada.
É nestas horas que precisamos tomar decisões difíceis. Estamos tão perto do topo.
Virar a bicicleta foi a parte mais dolorida. Não chegamos a discutir, simplesmente o silêncio da montanha predominava…
Comecei a descer forte, para chegar logo. Quando olho para trás, não avisto o Nakamoto, resolvo parar e esperar, a neblina era intensa. Emocionalmente mais equilibrado, ele recomenda para irmos mais devagar para não pegarmos tanto vento.
Meu freio traseiro chegara ao fim, freando somente com o dianteiro, meu pneu fura. Não acreditando no que acontecera, paro a bike e o Nakamoto continua a descer e some na neblina. Sem saber o que fazer, comecei a correr para chegar a algum lugar.
Paro e resolvo trocar o pneu, encontro um lugar mais apropriado para realizar a troca, um recuo nas rochas, viro minha bicicleta retiro a câmera e percebo que o furo foi na base do bico, local impossível de se remendar.
Opto pela troca da câmera, ao abrir a câmera reserva, noto que o bico é de diâmetro superior a que eu utilizo, e, portanto a roda não suportava tal substituição. O Nakamoto chega ao local e também não acredita que o meu pneu furou e muito menos que a câmera reserva não é compatível com a roda.
Estávamos molhados, com frio, nervosos e decepcionados.
Ele saca sua câmera reserva de speed (MTB com pneu de speed), colocamos a câmera, enchemos e quando íamos colocar a roda na bike, um estouro. A câmera não suportou. Fiquei desesperado, pedi para ele ir até a lojinha que não deveria estar muito abaixo de nos ou parar um caminhão ou pick up para sairmos do local. Nessa hora o Nakamoto reclama de fisgadas na perna, câimbras.
Percebi uma respiração profunda e a calma se restabeleceu. Calma, foi preciso muito calma…. Lembrei-me dos documentários: Sobrevivi da Discovery.
Eu tremia de frio. Acenamos para alguns caminhões e ninguém parava. Então me lembrei do canivete que havia levado. Resolvemos alargar o furo por onde passa o bico da câmera. Alargamos, alargamos e enfim o bico entrou. Rapidamente enchemos o pneu e continuamos a descida.
Chegamos ao hotel, no meio da Serra, por volta das 18h30min, tremendo.Tomamos um banho quente com roupa e tudo.Coloquei a única coisa seca que tinha na mochila, minha camiseta que havia comprado na lojinha. Secamos nossas bermudas na toalha e ficamos descalços.
Descalços, comemos um macarrão, carne e ovos fritos. Descalços, pegamos um ônibus de linha, que vai de Lages até Criciúma, pagamos R$ 13,00 por cabeça. Pagaria até R$ 200,00. Descemos em Criciúma, com os tênis molhados, pedalamos ate o Hotel Íbis e fomos repor proteínas no Bico de Pão. O Nakamoto foi de chinelo e eu com o mesmo tênis molhado. Macho que é macho usa tênis molhado.
No dia seguinte, andamos pela cidade (de bike), o Naka de chinelo e eu de tênis úmido, tomamos mais um pouco de chuva, almoçamos no Burger King no supermercado Angeloni e ficamos matando a hora na rodoviária, o tempo continuava nublado. Retornamos à SP no desejado ônibus de dois andares, foi quando o Nakamoto abriu um belo sorriso: Você não sabe o quanto eu sonhava em andar num busão como este. Não pegamos trânsito e às 06h00min do dia 15 de novembro estávamos em SP.
Pegamos um metro até a estação Tamanduateí, depois um trem ate Utinga e de bike ate nossas casas….eu com o tênis embolorado e o Naka de chinelo, uma graça.
Em casa, lavei meus pés com vinagre e o cheiro parece que melhorou ou eu me acostumei a ele….Apesar de tudo, foi um belo passeio, não apreciamos tanto a paisagem, mas aprendemos muito.
Estava disposto a pedalar com chuva ou sol, mas não contava com o frio, talvez fomos ingênuos em optar por pedalar com uniforme de verão, e qualquer falha numa pedalada como esta pode terminar em tragédia.
Não ter levado capa de chuva, roupa reserva, pernito e manguito, foram erros de planejamento. Ter empurrado ao invés de pedalar, mesmo que lentamente, foi um erro estratégico.
Resolvemos escrever este depoimento mesmo não tendo atingido o nosso objetivo, para que outros ciclistas possam se aventurar nesta serra, é um lugar fantástico, nenhuma foto, nenhuma filmagem é capaz de traduzir o que nossos olhos viram, retornaremos com certeza, mais preparados e mais fortes.
Conversamos muito sobre o sucesso ou fracasso do nosso passeio e chegamos a conclusão de que voltar bem, inteiro, vivo é sucesso. Faltou muito pouco para atingirmos o cume, mas estamos vivos, retornamos para nossas famílias para as pessoas que nos amam e podemos nos preparar para outras aventuras, sempre respeitando os limites, próprios e alheios.
E isso é o mais importante em qualquer passeio.
Rastejando na Serra do Rio do Rastro
Flavio Nakaoka
Fabiano Nakamoto
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Araçatuba à 3 Lagoas – Usina de Jupiá
Dormi no Hotel Pekin em Araçatuba. Sai às 06 da manha rumo a Tres Lagoas.
Meu objetivo era transpor a Usina hidreletrica de Jupiá. Seriam 150 km de Marechal Rondon. Estudei a altimetria e programei as paradas. A Marechal tem um bom acostamento, ideal para Speeds, em alguns trechos o acostamento estava ruim, mas nada que impossibilitasse a viagem.
Levei 3 gels e um bom pedaço de mandioca cozida…isso mesmo, meu almoço foi uma mandioca cozida que sobrou da janta no Bola 7.
Havia jantando o famoso Cupim casquerado com mandioca…como sobrou, pedi para o garçom embrulhar num papel aluminio com uns pacotinhos de sal e mandei ver. Carbohidrato e sal…o que mais eu precisava…Água
precisei de muita água….cheguei a pedir para alguns moradores da região. Tomei muito suco de abacaxi…uma delicia…. Sai com duas caraminholas de Malto e uns 150,00 no bolso.
A Marechal é um sobe e desce danado….mas chequei em Castilho por voltas das 16:00 com uma media de 20 km/h. Foram 06:30 de pedalada efetiva e 3:30 de paradas. Cheguei bem mas resolvi dormir em Castilho.
Jantei uma pizza inteira.
No dia seguinte, bem cedo, fui ate a Usina, divisa de SP com Mato Grosso. A pedalada foi tranquila.
Me barraram na barragem , mas como estava todo equipado, deixaram eu passar. voltei para Castilho e peguei um onibus da Reunidas rumo à Araçatuba…
Poderia voltar pedalando, mas resolvi poupar minhas pernas…
Por: Flavio Nakaoka
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Pedal na Rodovia Castello Branco
Foram exatos 280 quilômetros de pedaladas distribuídos em dois dias.
Quatro integrantes da equipe Evolution contam com detalhes como foi a última pedalada do ano de 2010.
“Encerramos com pedal de ouro”.
Dada, Dudu, Nakamoto e Nakaoka partiram do km 63 da Castello rumo a Sta Cruz do Rio Pardo.
O objetivo era pedalar ate a cidade destino e retornar de busão.
Faça o download da aventura e planeje a sua. Não se esqueça de nos contar depois.
Pedal_Castello_
O grande segredo de pedalar longas distâncias, além do condicionamento físico, é manter a hidratação e não passar fome. Levamos muito GEL e cerca de 3 litros de água e maltodextrina. A Castello é forrada de bons postos de abastecimento.
Optamos, sabiamente, em não pedalar a noite, mesmo com coletes refletores. Dormimos na Pousada Sossego, ao lado do Posto Bizungão, foi um achado, pois as cidades mais próximas da Castello, ficam a pelo menos 20 km da rodovia.
Um passeio memorável.
Por: Flavio Nakaoka













