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Ciclofaixas de Lazer funcionarão sábado e domingo neste final de semana

Publicado em: 20 abr 2012 por Enzo Bertolini

Neste sábado (21) é feriado nacional (dia de Tiradentes) e como todo feriado nacional, as ciclofaixas de lazer (zonas Norte, Sul/Oeste e Leste) irão funcionar em São Paulo nas três regiões onde estão instaladas. E a dose será repetida no domingo, dia em que o espaço de lazer funciona habitualmente.

A Ciclofaixa de Lazer da zona Sul/Oeste possui 45 km e liga os parques do Ibirapuera, das Bicicletas, Villa Lobos e do Chuvisco por uma via exclusiva para bikes, com monitoramento da CET e sinalização vertical e horizontal para ciclistas e motoristas (veja o mapa aqui).

No domingo (22), a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai suspender o funcionamento da ciclofaixa Sul/Oeste, entre às 7h e 11h. Isso irá acontecer por conta da realização da Corrida Mizuno 10 Miles Series 2012.

As estações mais próximas para acesso são Vila Mariana (para acessar o parque do Ibirapuera) e Santa Cruz (para acessar o parque das Bicicletas), na linha azul. Na linha amarela, o acesso pela estação Faria Lima também é uma ótima opção, seja seguindo pela própria avenida Brigadeiro Faria Lima no sentido da avenida Presidente Juscelino Kubitschek ou no sentido da avenida Pedroso de Morais. Por fim, a estação Butantã, que fica próxima do trecho do Jockey Club.

Também é possível utilizar as estações da CPTM, que aceitam bicicletas aos domingos e feriados o dia inteiro (sábado a partir das 14hs). Na linha linha 9-Esmeralda, as estações Villa Lobos-Jaguaré, Cidade Universitária, Cidade Jardim e Vila Olimpia são as mais próximas.

Na zona Norte, a ciclofaixa de lazer possui 8km (4km em cada sentido) que liga a praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na esquina das avenidas Braz Leme e Santos Dumont, passa pela avenida General Ataliba Leonel, em frente ao Parque da Juventude – localizado onde era antigamente o presídio conhecido como Carandirú – e ao Sesc Santana, já na avenida Luis Dummont Villares, terminando na estação Parada Inglesa do metrô. Também é possível acessar a ciclofaixa pela estação Santana do metrô.

Por fim, há a ciclofaixa de lazer na zona Leste, com 14kms de extensão (7kms em cada sentido) ao longo da avenida Governador Carvalho Pinto onde está situado o Parque Linear Engenheiro Werner Zuluaf – Tiquatira, passando também pelas Avenidas Dom Hélder Câmara e Calim Eid. As estações mais próximas (mas não tão próximas assim) são Vila Matilde e Guilhermina-Esperança, na linha Vermelha do metrô.

As vias funcionam das 7h às 16h e podem ser acessadas de diferentes pontos. Para quem mora longe, o metrô é uma ótima opção, pois aceita o transporte de bicicletas em feriados e domingo durante todo o dia (de segunda a sexta a partir das 20h30 e sábado a partir das 14h).

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Cientistas alemães desenvolvem freio de bike sem cabos

Publicado em: 19 abr 2012 por Enzo Bertolini

Cientistas da Universidade de Saarland, na Alemanha, desenvolveram um sistema de freios de bicicleta sem cabos que promete mais segurança ao ciclista. Segundo Holger Hermanns, um dos responsáveis pela pesquisa e chefe do Departamento de Sistemas e Programas de Segurança da universidade a tecnologia desenvolvida vai funcionar como o sistema atual.

A diferença será na maneira como o ciclista acionara o freio. Ao invés de apertar o manete, o ciclista pressiona a manopla para controlar a intensidade da brecada – que é equipada com sensores que enviam sinais para o aparelho.

Holger Hermanns, da Universidade de Saarland e seu freio wireless / Foto: Angelika Klein - Daily Mail

O sistema fica instalado na ponta do garfo dianteiro e recebe os comandos via sinais de rádio. Segundo Hermanns, a tecnologia é segura e, depois de testada, pode ser usada em carros, trens e aviões.

Segundo cálculos realizados pela equipe de cientistas da Universidade de Saarland, as chances de falhas do aparelho são 3 em cada 3 trilhões, um número relativamente pequeno.

Apesar da tecnologia ser interessante, é preciso levar em consideração que frear apenas na roda de frente é arriscado – o recomendado é utilizar mais os freios traseiros e os dianteiros servirem como auxílio.

Outra questão em aberto é a resistência das caixas que formam o sistema nas ruas de asfalto e terra.

Você arriscaria usar uma bicicleta com freios wireless?

Freio wireless / Foto: Angelika Klein - Daily Mail

Com informações e imagens do Daily Mail

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Adventure Sports Fair começa hoje em São Paulo e bicicleta será tema de palestras

Publicado em: 18 abr 2012 por Enzo Bertolini

Começa nesta quarta-feira (18) o Adventure Sports Fair no Pavilhão Bienal do Ibirapuera com uma programação diversificada para atender todos os gostos. A bicicleta também terá seu espaço no evento com palestras/oficinas nos quatro dias do evento (confira abaixo).

O ingresso custa R$ 17 para um dia de evento ou R$ 40 para os quatro dias e pode ser comprado nas bilheterias da feira. Crianças de até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam.

A melhor maneira de ir até o local é de bicicleta ou transporte público. Quem optar pela bike terá a disposição o serviço de bike valet da Ciclomídia (gratuito).

Adventure Sports Fair
Quando – 18 a 21 de abril de 2012
Horário – Quarta a sexta-feira das 14 às 22 horas; sábado das 10 às 22 horas
Onde – Bienal do Ibirapuera – Av. Pedro Alvares Cabral, s/nº – dentro do Parque do Ibirapuera

Programação

Quarta-feira
15h30 – 16h – Sala 3
Cicloturismo – como começar + equipamentos, por Jonatha Junge
Designer e fotógrafo com mestrado em Urbanismo, tem a bicicleta como principal meio de transporte, lazer e trabalho. Sócio fundador da Caminhos do Sertão Cicloturismo, empresa especializada em operação e planejamento de roteiros de bicicleta no sul do Brasil, a 7 anos no mercado. Participa e organiza viagens de bicicleta desde 1997, entre passeios com grupos de pedal noturno e expedições por locais como serra e litoral de Santa Catarina, Vale dos Vinhedos (RS), Lagamar (PR/SP), Argentina, Uruguai e Chile (Carretera Austral). É condutor experiente em cicloviagens com aventureiros brasileiros e estrangeiros.

18h15 – 18h45 – Sala 2
Como realizar uma aventura de bicicleta, por Rodrigo Telles e Eliana Britto Garcia
Fundadores do Clube de Cicloturismo do Brasil que este ano completa 11 anos. Além das viagens do clube realizam também expedições mais longas no Brasil e exterior. São fabricantes dos alforjes AraraUna.

20h30 – 21h – Sala 3
Mobilidade Urbana – como a bicicleta pode ser inserida no seu dia a dia, por Aline Cavalcante
Conhecida nas redes sociais como Pedaline, Aline Cavalcante descobriu em São Paulo sua paixão pela bicicleta. Desde 2009 ela pedala como meio de transporte e sua vida nunca mais foi a mesma. Hoje escreve sobre o assunto no site Vá de Bike e participa ativamente de grupos que estimulam o uso da bicicleta com segurança pelas ruas, tais como: Bicicletada, Bike Anjo, Pedalinas, Ciclocidade, entre outros.

Quinta-feira
16h30 – 17h – Sala 1
Como realizar uma aventura de bicicleta, por Rodrigo Telles e Eliana Britto Garcia
Fundadores do Clube de Cicloturismo do Brasil que este ano completa 11 anos. Além das viagens do clube realizam também expedições mais longas no Brasil e exterior. São fabricantes dos alforjes AraraUna.

18h30 – 19h – Sala 3
Cicloturismo – como começar + equipamentos, por Jonatha Junge
Designer e fotógrafo com mestrado em Urbanismo, tem a bicicleta como principal meio de transporte, lazer e trabalho. Sócio fundador da Caminhos do Sertão Cicloturismo, empresa especializada em operação e planejamento de roteiros de bicicleta no sul do Brasil, a 7 anos no mercado. Participa e organiza viagens de bicicleta desde 1997, entre passeios com grupos de pedal noturno e expedições por locais como serra e litoral de Santa Catarina, Vale dos Vinhedos (RS), Lagamar (PR/SP), Argentina, Uruguai e Chile (Carretera Austral). É condutor experiente em cicloviagens com aventureiros brasileiros e estrangeiros.

20h15 – 20h45 – Sala 2
Mobilidade Urbana – como a bicicleta pode ser inserida no seu dia a dia, por Aline Cavalcante
Conhecida nas redes sociais como Pedaline, Aline Cavalcante descobriu em São Paulo sua paixão pela bicicleta. Desde 2009 ela pedala como meio de transporte e sua vida nunca mais foi a mesma. Hoje escreve sobre o assunto no site Vá de Bike e participa ativamente de grupos que estimulam o uso da bicicleta com segurança pelas ruas, tais como: Bicicletada, Bike Anjo, Pedalinas, Ciclocidade, entre outros.

Sexta-feira16h15 – 16h45 – Sala 2
Cicloturismo – como começar + equipamentos, por Jonatha Junge
Designer e fotógrafo com mestrado em Urbanismo, tem a bicicleta como principal meio de transporte, lazer e trabalho. Sócio fundador da Caminhos do Sertão Cicloturismo, empresa especializada em operação e planejamento de roteiros de bicicleta no sul do Brasil, a 7 anos no mercado. Participa e organiza viagens de bicicleta desde 1997, entre passeios com grupos de pedal noturno e expedições por locais como serra e litoral de Santa Catarina, Vale dos Vinhedos (RS), Lagamar (PR/SP), Argentina, Uruguai e Chile (Carretera Austral). É condutor experiente em cicloviagens com aventureiros brasileiros e estrangeiros.

19h – 19h30 – Sala 1
Como realizar uma aventura de bicicleta, por Rodrigo Telles e Eliana Britto Garcia
Fundadores do Clube de Cicloturismo do Brasil que este ano completa 11 anos. Além das viagens do clube realizam também expedições mais longas no Brasil e exterior. São fabricantes dos alforjes AraraUna.

21h – 21h30 – Sala 1
Mobilidade Urbana – como a bicicleta pode ser inserida no seu dia a dia, por Aline Cavalcante
Conhecida nas redes sociais como Pedaline, Aline Cavalcante descobriu em São Paulo sua paixão pela bicicleta. Desde 2009 ela pedala como meio de transporte e sua vida nunca mais foi a mesma. Hoje escreve sobre o assunto no site Vá de Bike e participa ativamente de grupos que estimulam o uso da bicicleta com segurança pelas ruas, tais como: Bicicletada, Bike Anjo, Pedalinas, Ciclocidade, entre outros.

Sábado
11h15 – 11h45 – Sala 2
Cicloturismo – como começar + equipamentos, por Jonatha Junge
Designer e fotógrafo com mestrado em Urbanismo, tem a bicicleta como principal meio de transporte, lazer e trabalho. Sócio fundador da Caminhos do Sertão Cicloturismo, empresa especializada em operação e planejamento de roteiros de bicicleta no sul do Brasil, a 7 anos no mercado. Participa e organiza viagens de bicicleta desde 1997, entre passeios com grupos de pedal noturno e expedições por locais como serra e litoral de Santa Catarina, Vale dos Vinhedos (RS), Lagamar (PR/SP), Argentina, Uruguai e Chile (Carretera Austral). É condutor experiente em cicloviagens com aventureiros brasileiros e estrangeiros.

13h – 13h30 – Sala 1
Como realizar uma aventura de bicicleta, por Rodrigo Telles e Eliana Britto Garcia
Fundadores do Clube de Cicloturismo do Brasil que este ano completa 11 anos. Além das viagens do clube realizam também expedições mais longas no Brasil e exterior. São fabricantes dos alforjes AraraUna.

16h15 – 16h45 – Sala 2
Mobilidade Urbana – como a bicicleta pode ser inserida no seu dia a dia, por Aline Cavalcante
Conhecida nas redes sociais como Pedaline, Aline Cavalcante descobriu em São Paulo sua paixão pela bicicleta. Desde 2009 ela pedala como meio de transporte e sua vida nunca mais foi a mesma. Hoje escreve sobre o assunto no site Vá de Bike e participa ativamente de grupos que estimulam o uso da bicicleta com segurança pelas ruas, tais como: Bicicletada, Bike Anjo, Pedalinas, Ciclocidade, entre outros.

17h – 17h30 – Sala 1
Cicloturismo – como começar + equipamentos, por Jonatha Junge
Designer e fotógrafo com mestrado em Urbanismo, tem a bicicleta como principal meio de transporte, lazer e trabalho. Sócio fundador da Caminhos do Sertão Cicloturismo, empresa especializada em operação e planejamento de roteiros de bicicleta no sul do Brasil, a 7 anos no mercado. Participa e organiza viagens de bicicleta desde 1997, entre passeios com grupos de pedal noturno e expedições por locais como serra e litoral de Santa Catarina, Vale dos Vinhedos (RS), Lagamar (PR/SP), Argentina, Uruguai e Chile (Carretera Austral). É condutor experiente em cicloviagens com aventureiros brasileiros e estrangeiros.

19h30 – 20h – Sala 3
Como realizar uma aventura de bicicleta, por Rodrigo Telles e Eliana Britto Garcia
Fundadores do Clube de Cicloturismo do Brasil que este ano completa 11 anos. Além das viagens do clube realizam também expedições mais longas no Brasil e exterior. São fabricantes dos alforjes AraraUna.

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Pedal Verde fará passeio e plantio de mudas em homenagem a ciclista morto no início do mês

Publicado em: 17 abr 2012 por Enzo Bertolini

O coletivo Pedal Verde fará uma ação no dia 29/04 para prestar homenagem ao ciclista Lauro Neri, morto dia 03/04 na avenida Pirajussara, zona Sul de São Paulo.

O coletivo irá se reunir no Viveiro Manequinho Lopes, localizado no Parque do Ibirapuera (portão 7A), a partir das 8h30, pegar mudas de plantas e pedalar até a avenida Pirajussara para o plantio. No final há a possibilidade de um pic nic ou saída em grupo para almoço. Há uma página no Facebook sobre o evento para mais informações.

O coletivo é um movimento de ciclistas que querem contribuir com o verde da cidade de São Paulo por meio do plantio de mudas em locais públicos junto com um passeio de bicicletas. Surgiu na bicicletada, após um plantio realizado dia 15 de janeiro de 2009 em homenagem à cicloativista Márcia Prado.

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“A bicicleta é um meio superior, não só um meio de transporte. É uma coisa transformadora de vida”

Publicado em: 16 abr 2012 por Enzo Bertolini

No coração de um cicloativista nasceu um projeto que terá um grande impacto na vida de 4600 crianças do município de São Paulo: Escolas de Bicicleta. Há muitos anos Daniel Guth sonha com essa utopia do agora de ensinar as crianças de que bicicleta não é só um brinquedo, mas um meio de transporte, um meio de revolução.

Com a assessoria e apoio do especialista em mobilidade urbana dinamarquês, Mikael Colville-Andersen (Cycle Chic e Copenhagenize), Guth, junto com o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, o Escolas de Bicicleta irá atender 4600 crianças de 12 a 14 anos nos 46 Centros  Educacionais Unificados (CEUs) que farão diariamente o trajeto casa-escola-casa em comboios de 15 a 25 estudantes. Dentro da escola, as crianças terão paraciclos para o estacionamento das bikes feitas de bambu e monitores treinados pela Secretaria, pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pelo Instituto Parada Vital, para ensinarem desde noções de equilíbrio até regras de trânsito e manutenção das bicicletas. Ultrapassados os muros da escola, os alunos ganham juntos as ruas do bairro.

A entrega das bicicletas acontecerá a cada quatro semanas. Após o início simbólico do programa em Heliópolis, 20 alunos de cada unidade vão receber as bicicletas a partir de hoje (16), passar por quatro semanas de treinamento e abrir espaço para que as próximas 20 recebem as suas. Noventa e dois monitores já foram contratados pela Prefeitura e estão em treinamento. Eles serão responsáveis tanto pelas aulas de trânsito, mecânica e cultura de bicicleta quanto pelos comboios que vão acompanhar as crianças.

Bike Pedal e Cia conversou com Daniel Guth, assessor da Secretaria Municipal de Educação, que investiu R$ 1,3 milhão no programa, e teve acesso aos detalhes de como o projeto está funcionando.

Bike Pedal e Cia – Como surgiu o programa Escolas de Bicicleta?
Daniel Guth – Há muito tempo eu sonhei em tocar esse projeto. A gente vê que culturalmente as crianças ainda têm um contato bom com a bicicleta, diminuiu com o tempo, mas ainda tem. Depois existe um buraco, que ela só vai retomar isso lá na frente. O que faz o jovem esquecer, abandonar, abdicar, por que ele não entende que ele pode levar a bicicleta no resto da vida dele? É claro que tem aí mil questões, como cultura do carro, organização da comunidade, o fenômeno moto, que no Brasil é a coisa que mais cresce nesse país.

Nós recebemos a visita do Mikael Colville-Andersen, do movimento Cycle Chic, em junho do ano passado e em uma conversa ele me falou muito como eram os programas educacionais na Dinamarca nessa área. Eu fiquei alucinado com tudo. Aquelas comunidades todas pensadas para a formação educacional da escola, do aprendizado, deslocamento, segurança e felicidade delas. A bicicleta é um meio superior, não só um meio de transporte. É uma coisa transformadora de vida. Depois que o Mikael retornou para a Dinamarca, eu e o secretário (municipal de Educação, Alexandre Schneider) começamos a articular o programa, como ia ser, quantas fases teriam etc.

BPC – Como foi esse processo?
DG - Primeira coisa a fazer foi avaliar como está a rede com relação a bicicleta. Fiz uma consulta na pesquisa Origem e Destino do Metrô e descobri que 15% dos deslocamentos feitos de bicicleta tinham como destino escola, embora a pesquisa não entre no mérito do que é escola (estadual, municipal, faculdade etc). Isso era bom, porque as pessoas já estavam usando a bicicleta em um número considerável, não era para se desprezar. Precisávamos dar apoio para essas pessoas que já usavam esse meio. Então, nós começamos a instalar paraciclos para o estacionamento das bicicletas nos CEUs e escolas. Nós temos uma parceria com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente que nos forneceram uma quantidade boa de paraciclos para nós instalarmos. Com o apoio, a coisa tomou outra dimensão. A rede começou a ver a bicicleta de outra forma. Ciclistas professores e alunos começaram a se conectar. E aí começaram a chover propostas. Entre tantas coisas, descobri uma professora de educação física que desenvolveu uma metodologia só usando bicicleta.

O próximo passo foi estruturar como introduzir a bicicleta no currículo e fazer com que haja interação com os alunos e os equipamentos escolares. A primeira coisa que veio na nossa cabeça foi o CEU, que é um equipamento fantástico, tem um lugar que tem uma comunidade muito forte. Os CEUs foram introduzidos em lugares de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) muito baixos, de desigualdades sociais e viraram referências nesses lugares. Em novembro do ano passado nós fizemos uma primeira reunião com a direção deles para falar da nossa ideia. Passadas as argumentações iniciais, nós anotamos as críticas e sugestões e fizemos nossa lição de casa. Nós moldamos o programa em cima das nossas diretrizes e com as sugestões das direções das escolas.

No final de dezembro nós assinamos um convênio com o Instituto Parada Vital para nos ajudar com o gerenciamento disso, para contratação de monitores, educação, orientação etc. Depois começamos a ter uma série de reuniões com os CEUs. Cada CEU indicou dois coordenadores que vão acompanhar o projeto lá.

Conversamos com as escolas para saber onde os estudantes moravam, pois isso era fundamental e fomos falar com a CET para fazer parte do processo. Com a CET nós criamos um grupo de trabalho de treinamento e capacitação de todos os integrantes do programa, dos monitores aos educadores. Nós criamos uma metodologia de ensino que compreende leis de trânsito, mecânica e história da bicicleta, fisiologia e desenvolvimento corporal, técnicas de equilíbrio e balanço e habilidades em cima da bicicleta. Todo o treinamento foi baseado em várias experiências brasileiras e do mundo. Os monitores depois de treinados vão para o CEUs e vão pegar a primeira turma de 20 crianças, por um mês em um circuito dentro da unidade para treinar equilibro, postura, habilidades, pedalar com uma mão e sinalizar com a outra etc, tudo sem sair para a rua. Depois de um mês essas 20 crianças que passaram pelo treinamento vão ganhar um certificado simbólico, uma espécie de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) – esse exemplo nós pegamos da Dinamarca, onde crianças passam por aulas quando chegam aos nove anos. Na semana seguinte ela está apta a fazer o deslocamento. Nesse momento, os monitores vão continuar com eles, sempre um atrás e outro na frente do comboio. Elas não vão para as ruas despreparadas.

BPC – Por que o programa trabalha com crianças de 10 a 14 anos apenas?
DG - A idade de 10 a 14 anos é a faixa em que as crianças intelectualmente estão no processo de sentir e absorver tanta coisa, de expansão, de criar conceitos próprios. Com 14 anos a criança parte para uma vida que ela pensa diferente dos pais. Como a gente rompe com uma cultura que muitas vezes é do seio familiar. De um pai que é pobre e muitas vezes tem uma bicicleta cujo sonho na realidade é deixar de ter uma, o que é uma maluquice. Então no momento em que dá esse poder, essa estrutura e fortalece o quão bonito isso é, ela vai passar a olhar o pai de outra forma. Você está mexendo com estruturas pesadas. É óbvio que ainda é um embrião, embora nós estejamos começando com 46 CEUs. O sistema que se quebra todo o paradigma pode ser repetido para todo o Brasil, para todo o mundo. Tem que vencer essa etapa.

Foto: Divulgação SME

BPC – E por que foi escolhida uma bicicleta de bambu?
DG – Os quadros feitos de bambu foram criados pelo designer brasileiro Flávio Deslandes, que inventou a primeira bicicleta de bambu em 1995 e hoje desenvolve seus projetos na Dinamarca. Se você comprar a bicicleta esse modelo em um mercado europeu, você vai gastar por volta de US$ 1400,00. É uma bicicleta de luxo, pontual. A bicicleta passou por vários testes antes de ser escolhida por nós.

Um dos diferenciais da bicicleta de bambu é que a gente produz 100% no Brasil. O bambu vem de diversas partes do Brasil já com o tamanho certo e vai para o CEU Jardim Paulistano, na Zona Norte de São Paulo. Lá no CEU passa por um tratamento e depois começa a montagem parte por parte. O Flávio começou o treinamento dos mecânicos que vão montar essas bicicletas, e está todos os dias com o pessoal que está cuidando disso.

BPC – As partes que não são de bambu vêm de onde?
DG – Mercado. O câmbio interno vai ser Nexus, de três marchas, o que já reduz muita coisa e será contrapedal. Só precisa ensinar as crianças a usar porque elas não estão acostumadas. Nós também compramos guidão, buzina etc.

BPC – Como as crianças vão participar do processo de montagem das bicicletas?
DG - As crianças vão de ônibus visitar o Jardim Paulistano para ver a montagem das bicicletas de bambu, para entenderem como elas são feitas. Se der vamos visitar algum dos centros produtores de bambu para que quando a bicicleta chegar à mão da criança, ela consiga entender todo o ciclo de produção.

BPC – Quais foram os critérios de escolha das crianças que vão participar do programa?
DG - Os critérios para participação no programa são muito objetivos. Ter prioritariamente entre 12 e 14 anos (se não tivermos 100 alunos nessa faixa, aí a gente puxa de 11 e depois de 10); morar próximo da ciclorrota indicada; e, além da vontade de participar do programa, os pais consentirem – que eu achei que fosse ser um problema e não foi.

BPC – Como foram definidas as ciclorrotas?
DG – Os CEUs já indicaram as primeiras ciclorrotas, de 2km a 3km até o CEU verificando o caminho que os alunos já fazem a pé, onde eles moram, e as rotas mais tranquilas de acordo com os critérios que a gente passou e que foram os mesmo utilizados pelo Cebrap na formulação das ciclorrotas pelo centro expandido de São Paulo – não passarão por avenidas com tráfego de ônibus ou veículos pesados. Essas 46 primeiras ciclorrotas eu mandei para a CET que vai verificar uma por uma e chancelar.

BPC – As bicicletas vão ficar com os alunos 100% do tempo, correto?
DG - Sim, se ele quiser ir para o parque com a bicicleta em um final de semana será ótimo. É um comodato até o fim do ano letivo. Que pode ser prorrogado caso ele continue no CEU. Se ele sair ou se completar o ciclo no fundamental e for para o ensino médio, a bicicleta dele é recolhida e vai para outra criança.

BPC - Os paraciclos já foram instalados nos CEUs?
DG – Do programa não. A gente instalou aquele U invertido amarelo, mas em uma quantidade bem pequena. Para 100 bicicletas em cada CEU a gente precisa de 50 paraciclos para colocar dois de cada lado. É um volume grande. A gente começou com Heliopolis como um modelo para mostrar para os outros CEUs como vai começar. A implantação em todos os outros começa hoje (16) com os 20 primeiros alunos recebendo as bicicletas em todas as unidades dos CEUs.

BPC – Quais foram os critérios para contratação dos monitores?
DG – Morar próximo dos CEUs, conhecer a comunidade e ter alguma relação com a bicicleta. São 92 monitores, dois por CEU.

BPC – Quando a turma de ciclistas estará completa?
DG - A partir de hoje, a cada mês você tem 20 novos. Então, em setembro devemos ter os 100 em cada CEU, contando que em julho é férias e não há aulas.

BPC – Pensando no pior cenário, se a criança tiver a bicicleta furtada, ela está fora do programa?
DG - Temos que minimizar a possibilidade de perda. Nós tivemos o cuidado de escolher uma bicicleta que não tivesse no mercado brasileiro. Na bicicleta vai ser pirografado o brasão da Prefeitura e a logomarca do programa. Mas sabemos que isso pode acontecer pontualmente e caso ocorra, vamos fazer um Boletim de Ocorrência. Nós vamos avaliar, e se a criança não tiver nada com o ocorrido, a gente pode dar uma nova bicicleta. A gente tem um percentual de reposição de bicicletas e peças previsto.

BPC – Além da bicicleta e do treinamento, as crianças vão ganhar mais algum item?
DG - Todos vão ter capacete, luz, espelho, buzina, colete refletor, cadeado, bagageiro com alforje para a criança colocar material e bandeirinha para sinalizar que a bicicleta é do programa. É importante dizer que os paraciclos do programa são feitos de PET e bambu – um modelo lindo e que otimiza o espaço – e os coletes e bandeiras são feitos de PET.

Foto: Divulgação SME

BPC – Pensando no aspecto climático. Se chover, os monitores irão pegar as crianças mesmo assim?
DG - As crianças moram próximas ao CEU e podem ir andando se quiserem. Se estiver chovendo forte, ela vai como ela iria antes. Os monitores passarão nas casas todos os dias, faça chuva ou faça sol.

BPC – E o bambu aguenta água? Ele é tratado contra o que?
DG - Sim, ele é tratado contra cupim, pragas, água etc. E se der problema, o fornecedor tem que trocar na hora.

BPC – As bicicletas possuem diferentes tamanhos?
DG – O quadro não, mas muda o aro. A gente fez uma conta de 75% de aro 26 e 25% de aro 20. Aro 20 pouquíssimos querem, é mais para quem tem 11 anos ou menos. Até porque as crianças sempre querem bicicletas maiores que eles.

BPC – Quando as bicicletas precisarem de manutenção, como será feito?
DG - Há ferramentas e material básico nos CEUs para isso. Tem equipes de mecânicos que irão circular nos CEUs a cada 15 dias para fazer trabalho de prevenção. Tudo isso para deixar que a mecânica fina fique com os monitores e alunos e a mais grossa os mecânicos cuidam.

BPC – Se algum pneu das bicicletas furar durante o trajeto, como será feito?
DG – Para, arruma e depois continua. A ideia é uma criança ajudar a outra e ter um clima colaborativo. Ninguém fica para trás.

BPC – Quanto custou a bicicleta de bambu montada com todas as peças, pronta para uso?
DG - R$ 550,00 com tudo, incluindo os acessórios. É uma bicicleta de qualidade por um preço justo.

BPC – O programa permanece para os próximos anos?
DG - Sim, permanece. Imaginando que no final do ano nós teremos alunos que irão para o ensino fundamental e vão para uma escola estadual, as bicicletas permanecem e serão passadas para novos alunos, que passarão por todo aquele processo de treinamento.  Se tivermos mais recursos ou entrada de patrocinador a gente consegue ampliar: fabricar novas bicicletas, aumentar o número de monitores, ampliar para outras escolas que não o CEU. Até o final do ano nossa missão é consolidar esses 4600 alunos iniciais.

Bicicleta de bambu em Heliópolis / Foto: Daniel Guth

 

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Exposição de fotos mostra viagem de ciclista por cinco continentes

Publicado em: 14 abr 2012 por Enzo Bertolini

Começa neste sábado (14) a exposição fotográfica “O mundo ao lado”, do ciclista e fotógrafo Arthur Simões, que viajou por cinco continentes (46 países) durante três anos e meio. A exposição mostra o cotidiano e as paisagens das cidades e lugares por onde passou.

Em entrevista ao Bike Pedal e Cia, Arthur conta que todos os dias documentava suas experiências no Pedal na Estrada, site/diário que ele manteve durante a viagem e que foi fonte de informação e conteúdo para crianças e professores de escolas de todo o Brasil (veja a entrevista completa aqui).

Bicicleta de Arthur Simões na Argentina / Foto: Arthur Simões

A exposição fica no Sesc Vila Mariana (atrium, 1º andar, torre A) até o dia 1º de julho e pode ser visitada de terça a sexta das 7h às 21h30 e sábados, domingos e feriados das 9h às 18h30. Algumas das fotos na exposição estão no livro de mesmo nome lançado por Arthur recentemente.

O Sesc Vila Mariana fica na rua Pelotas, 141 (próximo a estação Ana Rosa do metrô) e possui bicicletário (não esqueça de levar cadeado). A entrada é gratuita.

 

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Desafio Bicicletas ao Mar será neste domingo

Publicado em: 13 abr 2012 por Enzo Bertolini

Neste domingo (15) será realizado em São Paulo o “Desafio Bicicletas ao Mar”, que sairá da capital rumo a Santos pela Rota Cicloturística Marcia Prado. Para o evento, são esperados cerca de 300 ciclistas, de acordo com André Pasqualini, organizador do evento, também conhecido como Bicicreteiro.

Pasqualini é um ciclista experiente, já tendo realizado dezenas de viagens de bicicleta, com destaque para o Projeto Biomas, quando visitou de bicicleta os quatro Biomas que formam o Brasil (veja entrevista realizada pelo Bike Pedal e Cia com ele).

Viagem Projeto Biomas / Foto: André Pasqualini

A concentração se inicia às 6h30 e a saída do grupo será às 7h no Parque do Povo (avenida Henrique Chamma, 590, Itaim, próximo as estações Vila Olimpia e Cidade Jardim da CPTM ou estação Butantã, na linha amarela do metrô). Dali, o grupo seguirá para a ciclovia do rio Pinheiros sentido Grajaú e seguirá a Rota Márcia Prado, passando pela avenida Miguel Yunes, Balsa do Bororé, rodovia Imigrantes com Estrada do Capivari (pista sentido São Paulo), estrada da Manutenção (dentro do Parque da Serra do Mar), Cubatão e Santos (Canal 1).

A viagem será feita em pequenos grupos, acompanhados por Bike Anjos, que serão orientados por sinalização horizontal e vertical com a sigla DBM (Desafio Bicicletas ao Mar). Quando o primeiro grupo chegar ao Parque da Serra do Mar, deverão esperar os outros grupos chegarem para que seja feita uma checagem nos freios antes da descida rumo a Cubatão.

Pasqualini fez um guia completo para ciclistas iniciantes e experientes com orientações sobre o que levar e como se portar no desafio. Dicas sobre bagageiros, pneus, kit de ferramentas, câmaras de ar, alimentação e hidratação, ergonomia, vestuário, iluminação, itens de segurança, como pedalar em grupo etc. Vale a pena a leitura antes da viagem e como referência para qualquer outra cicloviagem.

O retorno será feito de ônibus e quatro linhas fazem o trajeto Santos-São Paulo com ônibus saindo a cada 30 minutos. As empresas já foram avisadas sobre o movimento que haverá de ciclistas e estão habituadas a transportarem bicicletas nos bagageiros. Um dica é levar cordas elásticas para prender as bicicletas na estrutura do bagageiro evitando que sua companheira seja machucada e permitindo que mais bicicletas e bagagens possam ser transportadas.

No Facebook há uma página sobre o evento, onde os ciclistas poderão obter todo tipo de informação e tirar dúvidas. E aí, quem vai fazer o Desafio Bicicletas ao Mar?

 

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Em São Paulo, 49 ciclistas morreram no trânsito em 2011

Publicado em: 11 abr 2012 por Enzo Bertolini

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) divulgou que 49 ciclistas morreram em 2011 em decorrência de atropelamentos no trânsito de São Paulo. O número é o mesmo que 2010 e demonstra que motoristas continuam desrespeitando paulatinamente o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que entre muitas coisas determina uma distância mínimo de 1,5 metro (artigo 201) para ultrapassagem, redução de velocidade ao fazê-la (artigo 220 item XIII) e que o veículo maior deve prezar pela segurança do menor (artigo 29 § 2°).

Na última segunda-feira, a Prefeitura de São Paulo anunciou que vai passar a multar motoristas que ameaçarem a segurança de ciclistas no trânsito. A partir de maio, a CET irá a enquadrar motoristas que desrespeitarem os artigos 169 e 197 do CTB. O artigo 169 prevê multa de R$ 53,20 e três pontos na habilitação (infração leve) para o motorista que “dirigir sem atenção ou sem cuidados indispensáveis à segurança”. O artigo 197 trata de “fazer conversão brusca” e prevê multa de R$ 85 e quatro pontos na habilitação (infração média). A CET irá treinar seus agentes para aprender a identificar condutas perigosas dos motoristas antes do início da ação.

Ghost Bike de Márcia Prado, morta em 2009 enquanto pedalava pela avenida Paulista / Foto: Enzo Bertolini

As situações de risco que os motoristas infringem aos ciclistas não ocorre somente em São Paulo. Neste vídeo, um ciclista britânico realizou um resumo das infrações e ameaças sofridas por ele nas ruas de Londres. Esse é um pequeno exemplo da irracionalidade de motoristas de diferentes veículos e como o trânsito nas grandes cidades se transformou em um problema social.

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